sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Cavalo da Amazona

Qual é o melhor cavalo para uma amazona? É necessário submetê-lo a uma fase de adestramento especial? Em resposta a primeira pergunta, as qualidades requeridas para um cavalo de Amazona são as mesmas que se procuraria num cavalo destinado a ser montado escarranchado. Fisicamente: bons aprumos, cascos e dorso, bem musculado e com uma conformação harmoniosa e adequada ao tipo de trabalho pretendido. Não existe raça mais ou menos apropriada. Mentalmente: deve ser um cavalo calmo e dócil, pouco caprichoso, com boa impulsão e andamentos confortáveis. Consoante o nível da amzona, esta poderá montar animais mais "delicados".
A preparação de um cavalo para a amazona não colocará problemas se este ja for bem comportado montado escarranchado. Aparelha-se o cavalo com a sela de amazona, apretando progressivamente as cilhas, passa-se a guia, para o habituar ao posicionamento diferente da sela e à existencia da cilha de equilíbrio, que pode surpreender cavalos mais sensíveis. Remcomenda-se uma descensibilização à saia e principalmente ao stick. Pois o cavalo não o deve temer, nem fugir dele, mas sim aceitá-lo tal como aceita a perna direita do cavaleiro "normal". Recomenda-se também começar o trabalho do cavalo principiante em amazona com sessões curtas, e zelar por um trabalho feito no "bom sentido", para que este se mova correctamente colocado e impulsionado, com as costas no sítio e activas. Este ponto é primordial para o futuro do cavalo e a sua longevidade. Pois um cavalo de amazona suporta o peso da sua cavaleira mais atrás, na direcção do pos-mão, do que um cavalo montado escarranchado, onde o seu peso esta mais sobre a ante-mão. Este factor, adicionado a um trabalho mal conduzido, pode levar a consequências muito negativas para a saùde do cavalo, e originar defesas e mau estar.

A amazona no séc XIX

Actualmente, continuam a existir Amazonas em todo o mundo. Longe de convulções políticas e morais, estas mulheres, e alguns homens,  escolheram de livre vontade esta forma de equitação. Praticam todas as disciplinas possívels, saltos de obstáculos, dressage, western riding, doma vaquera, polo, trec, etc obtedendo resultados tão bons, e ate mesmo melhores que os cavaleiros escarranchados. Mas uma questão pode subsistir: Porque montar em Amazona? Porque é uma forma de redescobrir a equitação, porque é uma forma segura de montar, pela elegância, pela finesa das ajudas, por razões medicais, ou simplesmente porque se gosta. Se algum dia tiver oportunidade, experimente. Sem medos ou preconceitos. A Amazona é uma equitação que merece ser redescoberta e apreciada ao seu justo valor.

A Amazona no séc XX

Devido ao feminismo crescente, a Equitação em Amazona conheçe o seu declínio. As mulheres reenvendicam a igualdade com os homens, e o abandono da Equitação em Amazona para a Equitação "normal" vai nesse sentido.  Pois o sucesso de um provoca inevitavelmente a queda do outro. O que não é do agrado de toda a gente!Assim, um artigo publicado no New York Times informa que o Rei George V proibe as mulheres presentes de montar escarranchadas no Olympia (Horse Show de Londres) durante o desfile do rei, pour razões de bem parecer, o que desencadeou uma violenta polémica entre defensores da Equitação em Amazona e a opsição defensora da igualdade entre géneros e do lado prático da Equitação normal. Abolição do corpete, uso de calças, uso de cabelo curto, a revolução está em marcha! As duas guerras mundiais testemunharam a queda da prática da Equitação em Amazona, à exepção da caça a cavalo ao abrigo da qual esta perdurou. As cavaleiras ousaram sem medo montar como os homens, igualando-os, e mesmo ultrapassando-os em habilidade equestre.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A Amazona no séc XIX

É apenas no século XIX que à sela de amazona se vem acrescentar o terceiro gancho para manter a coxa esquerda da amazona, permitindo-lhe realizar a "chave de segurança". Primeiramente fixa, é mais tarde eroscada no vaso para possibilitar a adtaptação à coxa de cada amazona. Tudo se torna então possível, e a monta em Amazona transforma-se verdadeiramente na Equitação em Amazona.  As Amazonas caçam , tal como a Duquesa d'Uzès ou de Chartre, conhecidas pela sua impetuosidade. Passeiam-se no bosque de Bolonha, onde demostram a sua elegância, ou realizam proesas nos circos da época, como a ecuyere Caroline Loyo, imortalizada por Alfred de Dreux no seu quadro "as Amazonas" ou ainda Adele Droin, que monta sem cabeçada. E como é possivel esqueçer Sissi, a impreatriz Elisabeth de Austria, amazona apaixonada, habituada a frequentar o picadeiro da escola espanhola de Vienna, onde praticava ares de alta escola em amazona. Ou ainda a Rainha Vitória, que lia o seu correio diário em Amazona. É de notar que a maioria dos cavalos destas senhoras eram ensinados pelos seus instructores que não hesitavam em montar em Amazona.

Elizabeth de Àustria

Depois da descoberta do terceiro gancho, o gancho direito do "berço" revelou a sua inutilidade, sendo gradualmente reduzido até ser suprimido pelos mestres seleiros, para obter a sela de Amazona moderna de dois ganchos, o primeiro e o terceiro inventados. A cilha de equilíbrio, e a utilização de cilhas largas fazem a sua aparição, enquanto que o peitoral e rabicheira desaparecem. Poucas mulheres montam escarranchadas nesta época. Ecuyers como James Fillis apenas recomendam a monta em Amazona para as senhoras, considerando a posição escarranchada desporvida de elegância e muito menos securitária, "considerando algumas senhoras montando escaranchadas, sem contar que a amazona perde toda a sua elegância feminina, não há nada menos pratico. O que faz falta ao cavaleiro no geral? O assento, ou seja a solidez. O assento fará ainda mais falta às mulheres, pois estas têem a coxa redonda e muito menos enérgica que os homens. É inútil dissertar demasiado sobre esse facto. O cavalos, que não são cortesãos, farão cair de tal forma aquelas que tentam praticar tal equitação, que estas não tardarão a desistir."
Aparece também o cilhão de amazona, para dar a ilusão ao público que a amazona monta sem arreio.


A Amazona do Antigo Regime ao Séc XVIII

As duas formas de Equitação feminina ainda coesistem como na idade média, sendo a Equitação escolhida por desejo de seduzir ou pelo contrario de demostrar a virtude da senhora, antes de se tornar progressivamente a única forma de equitação autorizada  para as senhoras boa sociedade. É um periodo chave na historia das mulheres, em que a equitação em Amazona torna-se pouco a pouco a unica forma aceitavel de montar, denunciando um recuo certo do estatuto feminino. Aubert, no seu livro "Equitação para senhoras" publicado em 1842 descreve a equitação feminina sob o Antigo Regime: " Desde tempo imemoráveis as senhoras francesas montaram a cavalo, mas à maneira dos homens; o que é disgaçioso e inconveniente (...) Quanto ao traje de equitação, era abotoado de alto a baixo e fazia lembrar, quanto a sua forma, o hábito dos padres; desabotoava-se a parte de baixo do traje no momento de se montar numa sela de homem, escarranchada (...) é nestes preparos que as senhoras da corte de Luis XV iam ao picadeiro, fazendo por vezes uma aprendizagem longa e participando nas caças reais ao veado, sem temer o cansaço e os perigos deste tipo de prazeres. Como esta forma de equitação oferecia muito melhor solidez que a adoptada hoje em dia pelas senhoras, existiam algumas que se tornavem verdadeiras écuyers com aptidões para montar cavalos finos e vigorosos em toda a perfeição dos ares académicos. Foi então que, Monsieur de Garsault, Capitão da Coudelaria Nacional Francesa, falecido em  1778 teve a ideia de acrescentar um segundo gancho para melhorar as selas de amazona, tal como descrito de forma muito detalhada no seu livro Le parfait maréchal. Este gancho situa-se à dirieta do primeiro, a coxa da Amazona esta assim equadrada entre os dois ganchos, formando um "berco". Uma pega a direita permite-lhe restabelecer o seu equilibrio caso seja necessario.Uma pequena almofada isola a perna direita do garrote.A tabua da sela medieval é subtituida por um estribo normal. Tres cilhas, um peitoral e uma rabicheira asseguram a boa fixação da sela no dorso do cavalo. Este tipo de sela, com dois ganchos superiores foi adoptado até 1830. Todavia esta inovação nao impedia a queda a amazona se, devido a um movimento brusco as suas coxas fossem deportadas para a direita.  Para evitar que as saias da amazona voassem com o vento, estas usavam muitas vezes um cinto à volta das coxas ou dos joelhos!

A Amazona no preriodo da Renascença

É no periodo da renascença, em que a equitação transita gradualmente de um status militar para uma arte, que as senhoras vão progressivamente começar a conduzir as proprias montadas. Ocurrem algumas modificações na sela medieval de amazona, cadeirão mais baixo, presença de uma pega a direita para se segurar. Mas este tipo de sela ainda não permite a pratica de uma equitação mais desportiva em segurança., e as cavaleiras mais impetuosas e de uma classe social superior montavam escarranchadas.
É entre o seculo XIV e XVI que se opera a transição fundamental entre a sela de amazona medieval, e os primordeos da sela amzano "moderna", com a adição de um gancho fixo, que permitiu um progresso essencial para a autonomia das senhoras a cavalo. Se Brantôme affirma que esta evolução deve-se a Catherine de Médicis que a introduziu em França, o que lhe permitiu caçar ao lado do marido (e que lhe valeu numerosas quedas) e de valorizar as suas pernas, a sua invenção perde-se no meandros da historia.  
Com o progresso da sela de Amazona, esta endireita-se a cavalo, o gancho permite-lhe evitar escorregar para a esquerda, a coxa direita direcciona-se para o eixo do pescoço do cavalo, os ombros orientam-se perpendicularmente a coluna vertebral da montada. A tabua repousa-pés é substituida por um estribo em forma de chinelo. A posição da amazona, direita, com o rim activo, permite-lhe enfim seguir os movimentos do seu cavalo ganha em graça e principalmente em solidez. É finalmente possivel caçar em amazona, e juntar à feminidade, o desporto equestre. Todavia, os cavalos das Damas eram cuidadosamente escolhidos, de forma a garantir um temperamento calmo e bem ensinados. Apesar de a maioria das Damas da época seguiam de longe a caça, adoptando um andamento mais moderado.
Esta é a época em que se fundaram as grandes academias de Dressage, época em que a Equitação  e o Ensino do Cavalo são elevados ao estatuto de Arte. Época de Pluvinel, de La Broue...mas nestas academias, as senhoras montam escarranchadas, pois as duas formas de equitação ainda coabitam pacificamente. Em 1669, o mestre  d’équitação Gabriel du Breuil Pompée dedica-lhes um tratado teórico de título significativo. Instrução da graça e boa postura que o cavaleiro deve ter a cavalo, da mesma forma muito útil as senhoras, que, presentemente devida a sua comodidade e firmeza, tomam o mesmo assento e postura que o cavaleiro observa. As senhoras podem seguir os ensinamentos académicos e partilhar as actividades equestres dos homens e por vezes, dirigir Academias parisences no meio do Séc XVII.

A amazona na Idade Média

Na idade Média, séc XIII a sela primitiva de amazona. era constituida por um vaso em madeira e uma especie de cadeirão recoberto de tecido. A Dama sentava-se bem no fundo, com as pernas a pender para o lado esquerdo do cavalo. Esta posição, bastante precaria, nao permitia à Amazona controlar a sua montada, sendo esta dirigida por um pagem a pé ou por outro cavaleiro. Uma variante destas selas permitia ao homem sentar-se escarranchado a frente da Dama, esta ficando atras dele, com as pernas a pender para o lado esquerdo, tradição que ainda se pode encontrar em Espanha ou no sul de França, mas sem a sela apropriada para o efeito. Esta forma primitiva de equitação feminina perdurará até ao inicio do século XX, para as classes mais modestas, pois as verdadeiras selas de Amazona estavam reservadas as classes sociais mais abastadas.