terça-feira, 4 de outubro de 2011

Homens em Amazona

Não é uma actividade reservada apenas a senhoras e meninas, nem do passado. Hoje em dia alguns homens dedicam -se à equitação em amazona. E porque não? Se conheçer algum, testemunhe!

Chamar as coisas pelo nome: As Amazonas e Cavaleiras

Actualmente, é comum designar uma cavaleira escarranchada de amazona. Este habito, é para mim desagradável pois é a usurpação de um termo que nos pertence por direito! A Amazona é uma forma completamente diferente de montar com todas as características que a tornam única. Por isso mesmo, discordo plenamente que seja empregue para designar uma cavaleira escarranchada.  Além disso, não poderia ser mais falso e errado,  pois o feminino de cavaleiro é cavaleira. É o termo correcto para designar a mulher que monta a cavalo. O termo amazona era antigamente utilizado como feminino de cavaleiro, mas para designar a senhora que montava a cavalo, com as duas pernas sobre o lado esquerdo do mesmo, com uma saia comprida. Pois na altura, não era permitido que uma senhora montasse a cavalo de outra forma. Ou seja, qualquer mulher que montasse a cavalo, era automaticamente uma amazona. Esse termo deriva do traje inicialmente usado para montar, que era chamado de amazona. Com o passar do tempo,o traje modificou-se e desapareceu, o nome passou a designar a mulher a cavalo. O tempo trouxe também a liberdade de escolha sobre a forma de equitação praticada pelas mulheres assim, actualmente utiliza-se o termo cavaleira para designar a mulher que monta a cavalo escarranchada, mas o termo amazona apenas deve ser usado quando se pretende referir uma senhora que monta a cavalo com as duas pernas sobre o lado esquerdo do mesmo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Curiosidade Histórica: Conselhos para o bem estar e elegância

Antigamente, existia um saber trajar em todas as situações, regulado por vários códigos que eram escrupulosamente respeitados. Seguem-se algumas recomendações de bem estar e elegância extraídas do livro "Conselhos sobre  passeios a cavalo acompanhados por uma senhora" de L.Barbaroux publicado em Lausanne em 1864:
  • Uma amazona deve ter sempre o cabelo bem apanhado
  • O chapéu deve estar preso atrás da cabeça com uma fita, para evitar que este se solte com o vento ou o andamento
  • O uso do véu nunca deve comprometer a posição e a visão
  • Os brincos devem ser pequenos e discretos
  • O corpete deve ser curto, com a borda inferior arredondada
  • As mangas do casaco devem ser justas ao pulso, para que, no acto de desmontar estas não se prendam à sela
  • Aconselho o uso de um calção da mesma cor por baixo da saia, em vez do saiote. Deste modo a amazona estará mais sólida e confortável a cavalo
  • O uso de botins é preferíveis ao de sapatos
  • Coloque chumbos na bainha da saia, unicamente do lado esquerdo
  • Não se deve usar anéis na mão esquerda
  • Caso se monte "a inglesa" o estribo de homem é preferível ao estribo em forma de chinelo
  • Antes de por uma senhora em sela, o seu acompanhante deve verificar que o cavalo está correctamente aparelhado, e as cilhas convenientemente apertadas.
  • Caso fique muito tempo a cavalo, verifique se as cilhas continuam bem apertadas
 Os concelhos acima descritos são o fruto de uma experiência de doze anos. Orgulho-me que os meus alunos aos quais foi proporcionado o prazer de acompanhar uma senhora a cavalo poderão julgar da sua eficiência.

sábado, 1 de outubro de 2011

Selas do mundo: Sela Vaquera

Tipicamente usada em Espanha, a sela vaquera amazona é directamente inspirada do modelo "masculino" . Nascida da necessidade para as senhoras, de assistirem às feiras e romarias, este tipo de sela está mais adaptado à tradição e traje Espanhol do que a inglesa. Actualmente, existem muitos modelos à venda por preços bastante baixos. Mais uma vez, atenção! Pois a grande maioria não passam de selas "normais" vaqueras nas quais foram enroscados dois ganchos. Estas não reunen as condições necessárias de segurança e conforto para uma boa equitação. Seguem imagens de uma boa sela de amazona vaquera


Agora sem "roupa":





E comparativamente, um modelo barato e pouco adequado:

Estribos e loros de segurança

Tendencialmente, as quedas em Amazona são mais raras, mas tendem a ser mais violentas. A maior fonte de perigo está em ficar presa pelo estribo, o que ainda é mais grave caso fique suspensa do lado direito do cavalo. É indispensável que a amazona use sempre estribo de segurança, ou, ainda mais conveniente, um loro de segurança. Inventados por mestres seleiros ingleses, consistem num sistema "inteligente" que liberta o loro da sela em caso de queda da Amazona. Todos os modelos estão bem concebidos e são muito eficazes. O seu único inconveniente pode residir na sua raridade, ou seja na dificuldade de encontrar o loro que lhe é adaptado, caso este, por alguma razão, não seja vendido com a sela.


Sistema inventado pela casa Champion&Wilton, a esquerda fechado, à direita aberto

Sistema usado pela casa Owen à esquerda fechado, à direita aberto


Sistema utilizado pela casa Martin&Martin
 

Sistema de segurança usado pela casa Mayhews

Embora a invenção destes sistemas seja atribuida a certos seleiros, podem ser encontrados em selas de outras casas, tendo sido copiados por outros fabricantes. Quanto aos estribos de segurança para amazonas, existem vários tipos


Estibo tipo Scott

Estribo de segurança basculante




Estribo de segurança Lachtford


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O trote levantado

Em Amazona, é muito mais confortável e comum trotar sentado que levantado. Esta técnica, apesar de destabilizante e cansativa para principiantes, é útil quando por exemplo surge a necessidade de percorrer longas distancias num trote mais activo, pois irá permitir o "descanso" da amazona, e irá ajudar o cavalo no seu esforço.  Além disso, é um excelente exercício para reforçar o equilíbrio e musculatura , e preparar a amazona para o salto de obstáculos .  A técnica consiste em aproveitar a impulsão dada pelo cavalo para, com o apoio exclusivo da perna direita, levantar o corpo da sela, tal como na equitação normal. O movimento é basculado, como se tentasse enterrar o joelho no garrote, e puxando para si o gancho superior. O tronco deve inclinar-se ligeiramente para a frente, ombro esquerdo a apontar em direcção da orelha direita do cavalo, e ombro direito bem puxado para trás. As costas devem estar perfeitamente direitas. A amazona deve sentar-se no meio da sela, primeiro sobre a coxa direita, mantendo-se perfeitamente aprumada. O objectivo é obter a posição mais repousante possível para a Amazona e o cavalo, aquela que exigirá menos esforço possível. A perna esquerda não tem nenhum papel no mecanismo do trote levantado. Aconselha-se até que, durante a aprendizagem do mesmo, a amazona descalce o estribo, para não ter a tentação de se apoiar no mesmo.  Pois este mau hábito tem como consequência desequilibrar a amazona para a esquerda, levando a uma rotação da sela, o que pode levar a pontos de compressão a nível do garrote do cavalo, causando dor e potencialmente lesões.

sábado, 24 de setembro de 2011

O porque da posição para a esquerda

A Rainha Alexandra
Existem poucas informações sobre a razão pela qual as amazonas montam com as pernas  para o lado esquerdo. Uma das pistas perde-se nos primódios da equitação em amazona pelo o facto que, para uma senhora dexta, seria mais fácil segurar a crineira, e mais tarde manejar as rédeas e o stick com a mão direita se as pernas penderem para o lado esquerdo. A outra razão reside no facto que as senhoras eram frequentemente acompanhadas por um homem a pé. Caso este se colocasse à sua esquerda, para não embater nas pernas da sua senhora, a espada usada sobre o flanco esquerdo, iria encontrar-se entre ele  e a amazona. Incomodando-o caso este tivesse de a socorrer (na época o tipo de selas usadas não era muito seguras). Com a amazona colocada com as pernas à esquerda, e o homem à direita, já não existia qualquer problema.
Desde então, as selas para a direita (off side) foram pouco fabricadas, eram usadas por amazonas com problemas físicos. Assim, a Rainha Alexandra, esposa de Eduardo VI,I montava para o lado direito após um accidente que lhe incapacitou o uso do joelho direito.  Numa crença que surgiu na época Victoriana, nasce a exepção que confirma a regra. Considerava-se que as meninas  deveriam alternar o lado para o qual montavam, para favorecer um crescimento harmonioso e desenvolvimento simétrico. Para satifazer essa necessidade, foram criadas selas reversíveis, em que os ganchos se desenroscavam completamente, permitindo assim alternar a posiçao para a esquerda ou direita. Encontram-se tambem algumas selas para a direita em circos. Estas eram usadas para realizar números "em espelho" em que uma amazona montava com as pernas para a direita e outra para a esquerda.